A Prefeitura de São Luís, por meio da Secretaria Municipal de Inovação, Sustentabilidade e Projetos Especiais (Semispe) e da Secretaria Municipal Extraordinária da Pessoa com Deficiência (Semeped), em parceria com a Casa Amabilitar, realizou a primeira edição do Criathon. O evento ocorreu entre os dias 28 e 30 de agosto. A maratona de inovação foi dedicada ao desenvolvimento de soluções para pessoas com deficiência, unindo tecnologia de modelagem 3D e criatividade.
Nesse contexto, a secretária da Semispe, Verônica P. Pires, aponta que a iniciativa fortalece o ecossistema local. “Maratonas de inovação, como o Criathon, representam uma das importantes ações que fortalecem nosso ecossistema de inovação em São Luís, pois colocam em evidência o papel social da tecnologia, visto o foco desta edição se debruçar sobre a resolução de problemas reais das pessoas com deficiência. Fomentar a criação tecnológica é mais um, dos diversos caminhos, para o desenvolvimento econômico e social do nosso Município”, destaca a secretária.
Foram três dias de imersão no universo da acessibilidade. O termo "Criathon" (uma junção de "criatividade" e "hackathon") dá nome à iniciativa idealizada pela startup Casa Amabilitar, fundada em 2020 pela empreendedora social Kelly Marques. A instituição é focada no acolhimento, orientação e criação de recursos voltados aos cuidados de pessoas que sofreram AVC (Acidente Vascular Cerebral).
Segundo Kelly, o evento nasceu do desejo não apenas de construir ferramentas de impacto real, mas também de sensibilizar a sociedade sobre as demandas cotidianas das pessoas com deficiência e de seus familiares, promovendo um debate que ultrapasse os limites da maratona.
Autonomia, acessibilidade e inclusão
O objetivo central do Criathon foi o desenvolvimento de produtos voltados para a autonomia, acessibilidade e inclusão de pessoas com limitações motoras. Durante o evento, os participantes vivenciaram um trabalho intensamente colaborativo, dividindo-se em quatro equipes multidisciplinares compostas por profissionais e estudantes das áreas de saúde, design, educação e negócios.
Por meio de sorteio, cada time foi desafiado a criar soluções dentro de uma das três trilhas temáticas estrategicamente estabelecidas: "Educação Inclusiva", "Comunicação para Todos" e "Autonomia no Cotidiano". Para refinar as propostas, os grupos participaram de workshops de ideação e design e operaram impressoras 3D com o suporte de mentores, materializando suas ideias em protótipos físicos. Ao final, os projetos foram avaliados por uma banca de especialistas com base em critérios de impacto social, funcionalidade e inovação.
A secretária da Semeped, Maria Rocha, que compôs o júri, enfatizou a importância da iniciativa. “Falar de acessibilidade também é falar de inovação, porque a tecnologia pode contribuir de forma significativa para superar barreiras e ampliar a autonomia e a participação das pessoas com deficiência. Mas é fundamental que essas soluções sejam desenvolvidas de forma colaborativa, considerando principalmente a experiência de quem vivencia essas barreiras no dia a dia. Quando unimos tecnologia, conhecimento e participação social, conseguimos construir soluções mais adequadas à realidade das pessoas e que realmente contribuam para uma sociedade mais inclusiva e acessível".
A experiência culminou na transformação de barreiras reais em possibilidades práticas, com as quatro equipes entregando protótipos funcionais alinhados às trilhas propostas.
O primeiro lugar ficou com a equipe da programadora Miriã Machado, que desenvolveu uma tábua de comunicação acoplada a uma capa de celular. O dispositivo em 3D se conecta a um aplicativo (também programado durante a imersão) para emitir sons e facilitar a comunicação entre pessoas com deficiências ou limitações verbais. Miriã, que é autista, destacou o valor pessoal da conquista. "Além da relevância da premiação, poder colocar em prática o sonho de ajudar outras pessoas e gerar um impacto real na vida de quem precisa, construindo novas amizades, foi uma conquista muito especial", disse.