Transformar o título de Patrimônio Mundial em conhecimento, pertencimento e novas experiências para quem vive ou visita São Luís. É essa a proposta do futuro Centro de Interpretação do Patrimônio Mundial de São Luís, cujos projetos foram apresentados nesta terça-feira (29), durante solenidade realizada no casarão histórico da Avenida Dom Pedro II, nº 241, no Centro Histórico.
O imóvel, conhecido como Casa de Graça Aranha, será adaptado para receber o novo equipamento cultural, educativo e turístico. A iniciativa é da Prefeitura de São Luís, por meio da Fundação Municipal de Patrimônio Histórico (Fumph), em parceria com instituições como a Organização das Cidades Brasileiras Patrimônio Mundial (OCBPM) e o Sebrae.
De propriedade do Sebrae-MA, o casarão foi cedido ao Município em setembro de 2021. A apresentação do projeto marca uma nova etapa para a implantação do equipamento, que terá como missão ajudar moradores, estudantes e visitantes a compreender por que o Centro Histórico de São Luís é reconhecido internacionalmente.
Durante a solenidade, a prefeita Esmênia Miranda destacou que a proposta do novo equipamento é funcionar como uma combinação entre museu, orientação e experiência cultural, preparando o visitante e os moradores da capital para compreender a cidade antes mesmo de percorrê-la.
“Uma cidade reconhecida internacionalmente como Patrimônio Mundial precisa fazer com que seus habitantes conheçam e reconheçam o valor desse território”, disse a gestora.
Sebrae aposta na conexão entre patrimônio e negócios
O Sebrae também vê no projeto uma oportunidade de fortalecer a economia do Centro Histórico. Durante a solenidade, o presidente nacional do Sebrae, Rodrigo de Sousa Soares, destacou a relação entre a preservação do patrimônio e o desenvolvimento dos pequenos negócios.
“A nossa vocação é apoiar as micro e pequenas empresas em São Luís. Essa parceria que estamos construindo com a Prefeitura dá um passo importante na constituição do patrimônio histórico, com nossos apoios institucionais e parceiros federais. Vai oportunizar também mais geração de renda e cidadania para toda essa região, que é uma porta de entrada para o Centro”, disse.
O diretor-superintendente do Sebrae Maranhão, Albertino Leal, reforçou essa perspectiva. “O Centro de Interpretação será um espaço de conexão entre patrimônio, cultura, turismo e empreendedorismo, aproximando a população e os visitantes da riqueza histórica de São Luís e contribuindo para novas oportunidades de desenvolvimento”, pontuou.
A presidente da Fumph, Kátia Bogéa destacou que o reconhecimento como Patrimônio Mundial traz responsabilidades para o poder público e para a sociedade. Segundo ela, “a preservação precisa estar acompanhada de educação e conhecimento”.
Nesse contexto, o Centro de Interpretação será mais uma ferramenta para aproximar a população e os turistas do significado do patrimônio de São Luís. A proposta também integra uma discussão nacional sobre a criação de Centros de Interpretação em cidades brasileiras reconhecidas como Patrimônio Mundial.
Da informação à experiência
A proposta vai além de reunir objetos, fotografias e informações históricas. Um Centro de Interpretação é concebido para criar uma ponte entre o patrimônio e o público. A ideia é apresentar o significado de um lugar e estimular as pessoas a continuar a descoberta pelas ruas, praças, igrejas, casarões e manifestações culturais que formam aquele território.
Em São Luís, essa experiência começa dentro do casarão e se estende pelo Centro Histórico. O visitante poderá conhecer aspectos da arquitetura, da história e da formação da cidade antes de sair para percorrer o conjunto reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial desde 1997.
A proposta também contempla os moradores. A intenção é fortalecer o conhecimento sobre a própria cidade e estimular uma relação de pertencimento com um patrimônio que faz parte do cotidiano de milhares de ludovicenses.
Uma ideia que veio de Portugal
O projeto tem origem em uma experiência internacional. Em 2019, uma missão técnica liderada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), com participação do Sebrae, esteve em Portugal para conhecer modelos de Centros de Interpretação voltados à valorização de patrimônios reconhecidos internacionalmente.
A experiência serviu como referência para a construção de projetos semelhantes no Brasil. A Organização das Cidades Brasileiras Patrimônio Mundial (OCBPM) passou a atuar na articulação dessa proposta e na contratação dos projetos para os centros destinados às cidades brasileiras que integram a lista de Patrimônios Mundiais.
“A intenção é transformar a experiência em uma política pública que possa ser aplicada em outros territórios históricos, culturais e naturais do país. São Luís é uma cidade viva, construída por encontro de povos, culturas e tradições. Esse é um projeto que considero estratégico para o Maranhão e para a política brasileira de valorização do patrimônio mundial”, salientou o presidente da OCBPM, Mário Augusto Nascimento, presente na solenidade.
Exposição, oficinas e espaço de acolhimento
Os projetos apresentados nesta terça-feira foram desenvolvidos a partir de estudos sobre a edificação e sua relação com São Luís, incluindo pesquisas históricas e registros iconográficos de diferentes períodos.
A estrutura planejada prevê uma área de acolhimento e exposição, além de café, loja, pátio externo e espaço para oficinas. A intenção é fazer do local um espaço de permanência e descoberta, e não apenas uma parada rápida no roteiro turístico. A experiência deverá combinar recursos expositivos e educativos para apresentar o patrimônio de maneira acessível a diferentes públicos.
Educação patrimonial chega a mais de 40 mil estudantes
A proposta do novo Centro também se conecta às ações de educação patrimonial desenvolvidas pela Prefeitura. A prefeita Esmênia Miranda destacou iniciativas realizadas em parceria entre a Fumph e a Secretaria Municipal de Educação (Semed), como o programa “Patrimônio nas Escolas”, voltado à valorização da história, da memória e da identidade ludovicense na rede pública de ensino.
A iniciativa já alcança mais de 90 escolas e mais de 40 mil estudantes, aproximando crianças e adolescentes do patrimônio histórico e cultural da cidade. A lógica é ampliar o conhecimento para que a preservação não seja entendida apenas como responsabilidade do poder público, mas também como uma construção coletiva.
A solenidade contou com a presença de Celso Gonçalo, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae-MA; Júnior Verde, superintendente do Iphan; Fábio Nahuz, presidente do Sinduscon-MA; Isaque Nascimento, superintendente do Banco do Nordeste; Mauro Borralho, diretor técnico do Sebrae-MA; Édila Neves, diretora de Administração e Finanças do Sebrae; Vilma Costa, conselheira do Sebrae-MA; os secretários municipais Rafael Lima (Secom) e Octavio Soares (Semad); e o presidente da Amdes, Felipe Mussalém. Também participaram da solenidade servidores públicos e profissionais da imprensa.