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26 SET 2026
414 ANOS
Ancestralidade e cultura afro-brasileira marcam noite de axé na Cidade da Alegria
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A noite desta sexta-feira (25) foi marcada pela força da identidade negra. A ancestralidade esteve à frente da programação, que levou axé, tambores e tradição ao palco da Cidade da Alegria, transformado na Cidade do Axé, reafirmando que São Luís é uma cidade diversa, com raízes e história intimamente ligadas à cultura africana.

Como mulher negra e professora de História, a prefeita de São Luís, Esmênia Miranda, destacou a importância da cultura de matriz africana para a formação da cidade. Ao subir ao palco para prestigiar pais e mães de santo, ela reforçou a valorização da cultura afro-brasileira.

“Que emoção ver, neste ano, o nosso povo de axé neste palco principal. É celebrar uma cidade diversa, negra, que sente sua ancestralidade e sua identidade. Receber nossos pais e mães de santo neste palco é um orgulho muito grande. Tomamos essa decisão com coragem porque aqui também é o nosso lugar. É uma noite em que toda a espiritualidade está conosco, renovando nossas forças e nossa fé”, enfatizou Esmênia Miranda.

Uma noite dedicada exclusivamente à identidade negra carrega significados importantes, como reparação histórica, justiça cultural, visibilidade para aqueles que contribuíram para a construção da história da cidade e combate ao preconceito e à intolerância religiosa. A programação reafirmou o protagonismo do povo de axé em um espaço público.

“O significado disso tudo é trazer para a praça pública uma celebração que, historicamente, esteve escondida nos terreiros. São Luís tem aproximadamente 74% de sua população negra, segundo o IBGE, e uma grande diversidade de religiões afro-brasileiras, como Tambor de Mina, Candomblé, Umbanda, Terecô, linhas de cura e pajelança. Não convidamos essas pessoas para a praça porque ela sempre foi delas. Queremos celebrar juntos a nossa cidade com quem também a constrói todos os dias”, destacou o secretário municipal de Cultura, Fellipe Reis.

Para caracterizar a noite temática, fachadas cenográficas foram exibidas durante os shows, com xilogravuras que misturavam a arquitetura colonial e religiosa dos casarões do Centro Histórico a elementos da cultura negra, como a imagem de uma mulher com turbante, colares de contas, búzios e guias, além de folhagens e tambores tradicionais.

Axé São Luís

A festividade começou com o Axé São Luís, que levou ao palco 43 pais e mães de santo, com toque de tambor dos povos de axé. O momento foi marcado pela representatividade dos povos de matriz africana.

“Esse é um momento único e marcante. Ver nossa ancestralidade sendo valorizada, principalmente no aniversário de São Luís, é muito importante. A Prefeitura está de parabéns por homenagear nossa ancestralidade e nosso povo de axé. Nós fazemos parte da história e da estrutura do movimento de São Luís, do Maranhão e do Brasil”, disse Pai Airton, do Ilê Axé Ogum Sogbô, do bairro do Quilombo Liberdade.

“A cultura feita pela nossa população negra tem importância para toda a nossa ancestralidade. Trazer essas pessoas para a Cidade do Axé representa também um espaço de conquista, construído junto com elas”, destacou Meiryele Coelho Cantanhede, coordenadora municipal de Promoção da Igualdade Racial (Compir).

Em um momento de agradecimento pelo respeito, reconhecimento e valorização do povo de terreiro nas celebrações do aniversário de São Luís, pais e mães de santo saudaram a prefeita. A coordenadora do Fórum Estadual Mulheres de Axé, Renafro Maranhão, mãe Nonata da Oxum, ressaltou a importância do momento para a reafirmação da cultura negra.

“Estamos em mais uma edição do Cidade de Axé, reverenciando nossa ancestralidade e honrando seu legado. Estamos aqui cantando, dançando e rezando, reafirmando nossa condição de mulheres e homens de axé. São Luís de Axé coloca o povo de terreiro no centro das atenções e é um convite à reflexão sobre nossa verdade. Nossa ancestralidade é negra, e nossas práticas ajudam a formar a identidade de São Luís”, afirmou mãe Nonata da Oxum.

Atrações nacionais 

A partir das 21h, tiveram início as atrações nacionais da noite. A cantora Rita Benneditto subiu ao palco após ser anunciada pela prefeita Esmênia Miranda.

A maranhense, que iniciou sua trajetória musical ainda na adolescência, levou às comemorações dos 414 anos de São Luís o projeto ‘Tecnomacumba’. O espetáculo combina música popular brasileira com elementos do candomblé e da umbanda, fundidos a batidas de música eletrônica e rock and roll. Com mais de duas décadas de existência, o projeto valoriza e celebra a ancestralidade e a força da cultura brasileira.

Rita cantou, dançou e evocou a ancestralidade, saudando orixás e entidades espirituais por meio do canto e da corporalidade. Ela também homenageou o bumba meu boi de sua terra natal com a toada “Se não existisse o sol”, mesclada ao hino de louvação a São Luís. No momento, o artista plástico Fernando Mendonça pintou ao vivo um quadro sobre São Miguel Arcanjo.

“Quando a gente volta para a nossa cidade, a emoção é muito maior. Eu e minha carreira fomos estruturados em toda a cultura maranhense e ludovicense. Hoje celebro a força ancestral da nossa cultura, que vem dos povos africanos e ameríndios. Fico muito feliz com o convite da Prefeitura para celebrar a cidade, nossa história, nossa ancestralidade, nosso axé e nossa cultura”, afirmou Rita Benneditto.

Em seguida, foi a vez do grupo Ilê Aiyê se apresentar. Vindo da ladeira do Curuzu, em Salvador, na Bahia, o Ilê Aiyê é tido como o primeiro bloco afro do Brasil e tem 52 anos de existência. Sua última apresentação em São Luís ocorreu em 2002, há mais de 20 anos.

Com trajetória ligada à valorização da cultura negra, da ancestralidade e da identidade afro-brasileira, o grupo levou ao palco sua sonoridade marcada pelo samba afro e pela percussão, com sucessos como “Que bloco é esse”, “Levante de Sabres Africanos”, “Deusa do Ébano”, “O mais belos dos belos”, “Pérola negra”, “Alienação” e “Crença e fé”.

“Nós já estivemos aqui no Maranhão, mas este momento é muito especial. Somos um bloco afro e brigamos por liberdade, igualdade e respeito. Combatemos a desigualdade e, chegando a um momento como este, com uma prefeita negra convocando o Ilê Aiyê, é muito gratificante. Parabéns, São Luís”, declarou Vovô do Ilê, integrante mais antigo do grupo.

O jornalista Hugo Borges, cuja religião é de matriz africana, participou da noite dedicada à identidade negra e parabenizou a iniciativa, destacando que se sentiu incluído.

“Essa representatividade é muito importante. A inclusão permite que a gente se veja e se identifique. A cultura de São Luís é vasta, plural, e fico feliz de ver que a Prefeitura continua trabalhando e enxergando que a gente existe. Estou feliz por participar de mais uma noite e, principalmente, por me sentir incluído”, disse Hugo Borges.


 
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